sábado, 11 de junho de 2011

Kerouac

Então resolvi quebrar as correntes
e me ver livre do limite
Então respondi em nome de uma geração
da verdade que não omiti


Então coloquei o pé na estrada
e saboreei o bom da vida


Então deixei de sentir medo
para seguir o meu enredo


Junior Core


Dedicado ao escritor beat Jack Kerouac


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sinônimo

Apareceu na minha vida sem eu esperar
do teu rosto singelo e sorriso cativante
me perdi no som das tuas palavras empolgantes
De um sorriso irradiante se fez aquela bela tarde
onde os arranha - céus parecia nos vigiar
e as paredes e os corredores a testemunhar
o acaso se tornando a confirmação do nosso olhar
De tão empolgado fiquei na simplicidade que vinha
nascendo um elo entre duas vidas divididas
mas que o tempo mostrou o quanto tinhamos em comum
Entre o sol e a tempestade, entre a culpa e o perdão
foram dias memoráveis de alegria e diversão
Dividindo sonhos e passado, amores e desilusão
atrás de teus olhos verdes a resposta pra qualquer questão
do nosso beijo consumado e o toque de nossas mãos
juntos para um futuro de resposta e interrogação
Do grande mistério que é a paixão
até a grande descoberta que é o amor
muitos casos e acasos nossa história fez
Do dia que amanhece até a noite que escurece
a sede pela felicidade é o que nos fortalece
Do sentimento do agora até o prazer de outrora
saber que fui feliz com você é o que me conforta


Junior Core


sábado, 28 de maio de 2011

Codinome - Eu

Me apresento em primeira pessoa
do expoente máximo duvidoso
Abalo sísmico da escala Richter
da devastação emocional e protetora


Do indivíduo promíscuo e sacaneador
do apetite voraz pela carne
Da aptidão pelo hímen sedutor
da donzela com sede pela descoberta


Infâmia do meu prazer
ardendo sobre o meu querer


Sêmen jorrado pra dentro
e o sangue que continuava descendo


Loucura e razão
artefato imaginário


Tesão e sedução
mais um corpo violado


Junior Core


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quando bate a saudade

E foi assim de repente
chegou sem avisar
olhando aquela foto antiga
de um tempo bom pra recordar


Outrora do tempo que não se esquece
que muito menos se perde
de nós dois de mãos dadas
para um sonho que me fortalece


E foi assim de repente
chegou sem eu esperar
lendo aquela carta antiga
gostaria eu de no tempo voltar


Junior Core


quinta-feira, 17 de março de 2011

Chuva negra

Olhei pela janela da sala
a forte chuva que caía
Feito lágrimas de um coração partido
escurecendo em plena luz do dia


Notei a presença de um corvo
pendurado no galho de uma árvore
Atrás de seus olhos negros
a morte tão fria feito mármore


O céu escurecendo feito carvão
gotas de sangue na imaginação
Da mente atordoada do poeta
entre linhas da sua criação


Então deixe o poeta louco sacudir
onde não houver vida acudir
Então deixe o poeta louco escrever
entre linhas tortas pro seu próprio saber


A chuva que cai feito lâminas
cortando a nossa imaginação
Que é interrompida no momento
que termina a canção


A chuva que cai sobre o cemitério
entrando água dentro do caixão
Matando a sede dos vermes
da carne salgada em decomposição


Mais um raio que cai
assustando o nosso coração
Mais uma dose de whisky
para acompanhar essa triste canção


Enquanto a chuva lavava
toda calçada imunda
O corvo continuava me olhando
anunciando a dor profunda


Junior Core


quarta-feira, 9 de março de 2011

Na cidade

Olhos fixos ao mundo que me contorna
boca fechada para perguntas sem respostas
Meu nariz em linha reta de um novo arranha - céu
que surgiu feito um monstro vindo do papel
o espaço sendo perdido e a natureza rejeitada


Homens com suas pastas e gravatas andando pra lá e prá cá
sonhos desperdiçados pelo garoto no farol a ganhar
algumas moedas pro seu bolso a mendigar
Entre desilusões e fracassos mais um dia a chegar
para o inferno do nosso cotidiano querendo o pesadelo acabar


Sons, palavras, visões e lamentações a chorar
são peças essenciais pro monótono povo guiar
Pela estrada sombria pro abismo chegar
e o suicídio coletivo sendo o fim da esperança
para os sonhadores que só souberam sonhar


Olhos fixos ao concreto que me contorna
boca fechada a mesma pergunta sem resposta
Meu nariz em linha reta de um demônio a me vigiar
que surgiu vindo de um outdoor de uma empresa estrangeira
o espaço sendo perdido pelo consumismo sem fronteira


Junior Core


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Perfume de formol

Então te vi ali deitada tão pálida
coberta por rosas e jasmim
usava a melhor roupa que tinha
roupa que tinha usado em outras ocasiões
de puro êxtase e alegria momentânea
Então segurei tua mão tão gélida
que mais parecia uma mão de boneca
Parecia tudo tão artificial e enganoso
quanto as lágrimas que desciam
por aqueles rostos sem expressão alguma
e teu sorriso maquiado que nada dizia
Enquanto no salão tocava a marcha fúnebre
vários corpos dançavam valsa do inferno
e tinham um sorriso em suas faces
de dar medo até em fantasmas
me senti desprotegido e senti tua falta
que continuava deitada coberta por rosas e jasmim
e eu continuava segurando tua mão gélida
O cheiro das velas se misturava com o cheiro das rosas
ouvia sussurros e lamentações vomitadas
enquanto vários corpos continuavam dançando valsa
Era tão macabro o ambiente a ponto de sentir náusea
e me senti dentro de um pesadelo medonho
enquanto a marcha fúnebre continuava tocando
eu continuava segurando tua mão gélida
e você continuava coberta por rosas e jasmim
com aquele sorriso maquiado que nada dizia


Junior Core