sábado, 28 de maio de 2011

Codinome - Eu

Me apresento em primeira pessoa
do expoente máximo duvidoso
Abalo sísmico da escala Richter
da devastação emocional e protetora


Do indivíduo promíscuo e sacaneador
do apetite voraz pela carne
Da aptidão pelo hímen sedutor
da donzela com sede pela descoberta


Infâmia do meu prazer
ardendo sobre o meu querer


Sêmen jorrado pra dentro
e o sangue que continuava descendo


Loucura e razão
artefato imaginário


Tesão e sedução
mais um corpo violado


Junior Core


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Quando bate a saudade

E foi assim de repente
chegou sem avisar
olhando aquela foto antiga
de um tempo bom pra recordar


Outrora do tempo que não se esquece
que muito menos se perde
de nós dois de mãos dadas
para um sonho que me fortalece


E foi assim de repente
chegou sem eu esperar
lendo aquela carta antiga
gostaria eu de no tempo voltar


Junior Core


quinta-feira, 17 de março de 2011

Chuva negra

Olhei pela janela da sala
a forte chuva que caía
Feito lágrimas de um coração partido
escurecendo em plena luz do dia


Notei a presença de um corvo
pendurado no galho de uma árvore
Atrás de seus olhos negros
a morte tão fria feito mármore


O céu escurecendo feito carvão
gotas de sangue na imaginação
Da mente atordoada do poeta
entre linhas da sua criação


Então deixe o poeta louco sacudir
onde não houver vida acudir
Então deixe o poeta louco escrever
entre linhas tortas pro seu próprio saber


A chuva que cai feito lâminas
cortando a nossa imaginação
Que é interrompida no momento
que termina a canção


A chuva que cai sobre o cemitério
entrando água dentro do caixão
Matando a sede dos vermes
da carne salgada em decomposição


Mais um raio que cai
assustando o nosso coração
Mais uma dose de whisky
para acompanhar essa triste canção


Enquanto a chuva lavava
toda calçada imunda
O corvo continuava me olhando
anunciando a dor profunda


Junior Core


quarta-feira, 9 de março de 2011

Na cidade

Olhos fixos ao mundo que me contorna
boca fechada para perguntas sem respostas
Meu nariz em linha reta de um novo arranha - céu
que surgiu feito um monstro vindo do papel
o espaço sendo perdido e a natureza rejeitada


Homens com suas pastas e gravatas andando pra lá e prá cá
sonhos desperdiçados pelo garoto no farol a ganhar
algumas moedas pro seu bolso a mendigar
Entre desilusões e fracassos mais um dia a chegar
para o inferno do nosso cotidiano querendo o pesadelo acabar


Sons, palavras, visões e lamentações a chorar
são peças essenciais pro monótono povo guiar
Pela estrada sombria pro abismo chegar
e o suicídio coletivo sendo o fim da esperança
para os sonhadores que só souberam sonhar


Olhos fixos ao concreto que me contorna
boca fechada a mesma pergunta sem resposta
Meu nariz em linha reta de um demônio a me vigiar
que surgiu vindo de um outdoor de uma empresa estrangeira
o espaço sendo perdido pelo consumismo sem fronteira


Junior Core


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Perfume de formol

Então te vi ali deitada tão pálida
coberta por rosas e jasmim
usava a melhor roupa que tinha
roupa que tinha usado em outras ocasiões
de puro êxtase e alegria momentânea
Então segurei tua mão tão gélida
que mais parecia uma mão de boneca
Parecia tudo tão artificial e enganoso
quanto as lágrimas que desciam
por aqueles rostos sem expressão alguma
e teu sorriso maquiado que nada dizia
Enquanto no salão tocava a marcha fúnebre
vários corpos dançavam valsa do inferno
e tinham um sorriso em suas faces
de dar medo até em fantasmas
me senti desprotegido e senti tua falta
que continuava deitada coberta por rosas e jasmim
e eu continuava segurando tua mão gélida
O cheiro das velas se misturava com o cheiro das rosas
ouvia sussurros e lamentações vomitadas
enquanto vários corpos continuavam dançando valsa
Era tão macabro o ambiente a ponto de sentir náusea
e me senti dentro de um pesadelo medonho
enquanto a marcha fúnebre continuava tocando
eu continuava segurando tua mão gélida
e você continuava coberta por rosas e jasmim
com aquele sorriso maquiado que nada dizia


Junior Core


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Declínio

De princípio acreditei no porém de sua idéia
como vindo da primeira pessoa do plural (nós)
imaginei com ingenuidade de manter uma palavra
se tratando de dois adultos imaturos pelo acaso


Ainda existia uma confiança em estado de amadurecimento
por parte alheia do subconsciente inexplorado
pela primeira pessoa do plural (nós) que insistia nisso
até que algum dos lados pudesse ceder a sua fraqueza


Então encarar o fim se tratando de uma continuidade
que não mais vai existir dentro de (nós)
é algo que nos causa muito medo pela nossa vontade
de saber que o bom pode acabar um dia


E o que viceja também pode desmoronar tão rápido
quanto o piscar dos olhos ou a própria luz
em fração de segundos pra nossa agonia
então a primeira pessoa do plural (nós) deixa de existir


Junior Core


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tão alto quanto as estrelas

Então vem como a brisa do mar sobre meu rosto
e me faz sentir por um momento tão precioso
a ponto de desejar meus pés fora do chão
e a voar sobre as mazelas do mundo


A sensação é tão gostosa de liberdade
de poder voar, voar, voar...
e poder ver tudo aquilo que jamais conseguiríamos
com uma sensação de superioridade e coragem


Então que venha por assim dizer, meio que sem querer
lúdico como sempre o desejo de ir além
de querer experimentar o inexplicável
de poder cuspir o gosto amargo


O imaginável da mente ser posto em prática
o sonho se tornando realidade pra nossa vontade
de acreditar que não existe dor, nem desilusão
enquanto estiver sonhando meus pés não tocarão o chão


Junior Core