quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Paixão que não se esquece (nossa antiga Penha)

Era apenas um menino perdido
até você me encontrar
Penha era o nosso lugar
Caminhavamos sem destino 
sem direção e sem rumo
até a chuva nos parar
No portão do antigo casarão
a praça sendo nossa testemunha
nossos corpos a se encontrar
Sem pudor e sem medo
foi uma bela paixão repentina
do tempo que tudo soava bem...
O trem que passa pelo subúrbio
do nosso lindo bairro da Penha
antigos casarões saudosistas
que nos faz voltar no tempo
A antiga Igreja da praça
de frente a nossa safadeza
Mas agora nada importa
do teu beijo quente que me devora
Então deixemos nossa antiga Penha
sendo lembraças da nossa história


Baseado na história de um amigo meu


Junior Core


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Platônico

E novamente te vi subindo a rua
cabelo contra o vento e olhos cintilantes
Trazia em tua face um mistério indecifrável
no qual eu sentia a necessidade de desvendar
Cada passo dado se aproximando de mim
meu coração dispara e minhas pernas tremiam
É como se eu saisse de dentro do meu corpo
meu controle se tornava incontrolável
minha compreensão se tornava incompreensível
minha razão se tornava uma indagação
Mas ao passar por mim e dar um sorriso
tudo em mim parava e nada fazia
Nenhuma palavra ou ação correspondia
e novamente te vi partindo do meu caminho
Horas e horas ensaiando o grande dia
o dia que eu teria coragem de me declarar
Aquele com certeza seria o meu grande dia
e o sim vindo de tua doce boca
seria tudo e mais um pouco pra mim
Horas e horas imaginando como seria
poder falar tudo que eu sentia
Abrir meu coração a ti e poder te ouvir
E no dia seguinte lá estava eu
esperando a hora que você passaria
E novamente te vi subindo a rua
mas ao passar por mim e dar um sorriso
novamente nada fazia e apenas via
você partindo do meu caminho
E apenas acreditava que no dia seguinte
iria concretizar o que eu tanto queria
Horas e horas ensaiando o grande dia
o dia que teria coragem de me declarar
Mas parecia que esse dia nunca chegaria


Junior Core


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Epitáfio

Pulsos cortados lentamente
e o chão manchado pelo passado
do tempo gasto que não se esqueceu


Rasgaremos o verbo acidentalmente
do nosso presente inconsequente
asilo indecente da nossa juventude


Entre paredes mofadas e esbranquiçadas
corredor gelado do nosso necrotério
a caminho do nosso próprio sepultamento


Do nosso velório e lágrimas
dos nossos inimigos culpados
pelo pouco estrago que nos fez


Glorificaremos a nossa estupidez
e um brinde a nossa fraqueza
saudades de um tempo de aparência


Mas o tempo é mesmo solene
carnificina do nosso cotidiano
alicerce mental em ruínas


Violentamente pacífico e mesquinho
bandeira branca suja de sangue
da nossa guerra sem fim


Então jogue mais uma rosa morta
a sete palmos do chão
e deixe que os vermes faça o seu trabalho


Cubra todo buraco com muita terra
para que meu passado seja esquecido pelos inimigos
e que nesta noite tenha uma linda festa


Aqui jaz uma mente contestadora
apaixonado pela Anarquia vital
que resumiu sua vida em poesia


Então todos começam a ir embora
enquanto o coveiro dá o último retoque
na terra que continua caindo


Faz uma linda tarde de céu azul
enquanto os pássaros cantam
mas os pulsos não se fecham


Junior Core


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dama de preto (princesa da noite)

Na esquina daquela rua fétida
onde mendigos e ratos esfomeados
disputavam ferozmente o lixo amontoado
me deparei com a tua imagem


Usava um vestido preto apertado
que deixava o teu corpo marcado
mostrando cada curva desejada
maltratando a carne que é fraca


Teus lábios carnudos brilhavam
sobre aquele batom vermelho que me hipnotizava
tinha um olhar penetrante e misterioso
esbanjando sensualidade em teu corpo delicioso


Tinha lindas pernas que encantavam
usando meia-calça que me provocava
cabelo comprido sobre os ombros
e um anel na mão direita que brilhava


O cheiro do teu perfume
que tomou de conta do lugar
nem parecia que estava lá
uma miragem no deserto


Então te vi partindo
entrando naquele carro
para mais uma noite de pecado
ao lado de alguém que nem conhecia


Então segui meu caminho
a tua imagem continuava comigo
e o teu perfume continuava sentindo
naquela esquina que já não fazia mais sentido


Adeus minha princesa da noite
até logo submundo noturno
deixe-me entorpecer novamente
nesta noite louca que não tem mais fim


Só para os loucos querida, me entenda, só para os raros meu bem!


Junior Core


terça-feira, 2 de agosto de 2011

Carpe Noctem

Agora acordo sem você do meu lado
travesseiro solitário feito meu coração arruinado
e apenas uma fresta de luz que entra no quarto
dando um sentido de vida pro meu corpo estático
Caminhando pelas ruas sem direção
e a cada esquina remetia a tua imagem
cada passo dado sentia falta do teu
cada parada para atravessar, você já não estava lá
E a tarde que chega me esfaqueando pelas costas
estar naquele banco da praça já não fazia sentido
e os pombos que comia as migalhas
já não vinham em minha direção
apenas eu e minha solidão
Pessoas que caminhavam por ali
parecia não me notar
um fantasma a mercê do nada
e o pôr do sol anunciando o fim do dia
Então chega a noite mórbida
já não ouvia risadas e nem havia graça
nos passos dados de volta pra casa
apenas meu cachorro notou minha chegada
Ao abrir a porta me deparei com um retrato
de um tempo onde os dias faziam sentido...
Então me deito olhando para o teto
e o silêncio na rua feito um deserto
Então é hora de dormir. Boa noite!


Junior Core